sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

09-01-2015




Quando comecei o blog eram poucos que falavam sobre o assunto. Eu meio que deixei minhas postagens de lado e hoje vejo que existem diversos que compartilham suas experiências na rede.

Olhando as experiências dos amigos que compartilham dessa e outras “doenças”, me sinto pequeno. São pessoas fortes, determinadas, ativas. Chego a me sentir envergonhado. Chego a sentir orgulho por eles.

Deus abençoe a vida de todos.

Deus da os fardos mais pesados a seus filhos prediletos dizia minha avó. Hoje sei que Deus não tem predileções, ama a todos seus filhos igualmente, indistintamente, incondicionalmente. Porém é bom lembrar os dizeres da minha avó.

Somos todos prediletos, um conforto para o coração.


Abraços, Edson.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

2015



Mais um dia do novo ano!

A vida nas redes sociais continua sendo perfeita. Na verdade quem iria postar sua vida com falhas?! A melhor foto, a melhor frase, o melhor momento. Tudo como gostaríamos que fossem todos os dias. Porém por vezes pode acontecer uma dor aqui, um tropeço ali. E como reagimos a tudo isso é o que nos diz quem somos.

Eu, Sou renal, e vivo!

De inicio, talvez essa frase quisesse dizer algo aos amigos renais que desistem, e passam a viver de casa para a clínica e vice-versa, para viverem, além disso. Porém acho que essa frase realmente queria dizer a mim mesmo para me manter afastado de realmente “ser renal”. Segui sempre a rotina e restrições que essa nova condição me impôs, porém quase que desconectado, não assumindo que ser renal também faz parte da minha vida, e esse meu viver de hoje é diferente do de ontem.

Aos amigos renais de tantas clínicas por onde estive, aos amigos médicos, da enfermagem, todos os verdadeiros, me perdoem pela distância que criei.

Um abraço sincero, um feliz 2015,


Deus abençoe a todos. Edson

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Humanamente humilhado


Comentar um momento de protesto interior. Digo interior, pois a tentativa de exteriorizar minha indignação, de forma polida, foi em vão. Dizem que existe ouvidoria, porém não creio no sistema, creio sim numa ouvidoria de patrícios. Enfim, vamos ao relato.

Na hemodiálise, a doutora que “cuida” de mim, mexeu no meu peso, tirou ½ quilo. Até aí tudo bem, pois esse controle de peso sou totalmente a favor, por isso estou sempre atento se emagreço, pois ficar bem “seco” sem que isso me faça mal, traz diversos benefícios. Porém ela fez isso sem sequer perguntar como estou, sem sequer um exame. Fico imaginando qual o parâmetro ela usou pra fazer isso, pois minha pressão está excelente 12x8 sempre, não tenho falta de ar, nenhuma outra queixa senão as fortes dores nos ombros.

Até acredito que esse ½ quilo a menos eu agüentaria se fosse em outro momento, mas têm feito um calor escaldante, e transpiro absurdamente. Hoje sai da hemodiálise com o peso proposto por ela, já agora com a pressão baixa, em casa a pressão cai mais, eu que graças a Deus ainda exerço alguma atividade e com pressão baixa, fico praticamente um morto vivo no serviço.

A sensação de impotência chega a doer. Tenho 43 anos de idade, lúcido, capaz, porém sou tratado como um número de produção.

Ou seja, sem generalizar, o sistema vai de mal a pior. Humanização?!, balela pra trouxa. Edson

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A psicologia e a doença renal crônica

matéria retirada do site http://www.prorim.org.br/site/artigos/ver/i/12  por: Claudia Tavares Ruggi



O enfrentamento das incapacidades e perdas geradas pela doença crônica: um estudo de portadores de insuficiência renal crônica em hemodiálise. 

O tratamento hemodialítico constitui-se em recurso terapêutico bastante difundido no tratamento da insuficiência renal crônica. A avaliação do processo de adoecimento do paciente renal crônico a partir de seu próprio convívio com a doença e tratamento hemodialítico identificou que estes pacientes utilizam estratégias de enfrentamento que envolvem “esforços intrapsíquicos”, “voltar-se para os outros” e também a “ação direta”, em decorrência das perdas e incapacidades geradas pela doença (perda do poder físico, perdas sociais, econômicas, sexuais, perda da liberdade e privacidade). 

Constatou-se que não é fácil, tanto para o paciente como para os familiares, “habitar” ou conviver com uma doença crônica (a insuficiência renal crônica), que se caracteriza atualmente por um curso demorado, podendo ser progressiva, eventualmente fatal ou resultar em diversos prejuízos, requerendo tratamentos dialíticos prolongados, rigorosos, freqüentes e dispendiosos, facilitando sentimentos de impotência, desânimo generalizado e sensação permanente de ameaça à integridade corporal do paciente. 

Além disso, o tratamento hemodialítico evoca uma questão paradoxal para o paciente: como um tratamento pode ser tão desprazeiroso? Acresce-se a questão da desinformação o que aumenta os efeitos ansiogenos gerados pela vivência da doença e do tratamento aos pacientes. 

Assim, verificou-se neste estudo que o doente renal crônico luta para entender e aceitar sua doença, procurando incansavelmente, através de estratégias de enfrentamento, compreender a doença e seu respectivo tratamento. 

A atual tendência da Psicologia e das ciências voltadas para a área da saúde é considerar o homem como um ser no mundo, dentro de uma perspectiva holística que integre três esferas biológica, psicológica e social, que são interdependentes e só podem ser compreendidas uma em função da outra.

Assim, o profissional de saúde deveria pensar no doente como um ser humano dotado de corpo e alma e que naquele momento de sua vida necessita de cuidado pessoal e especial. Nesse sentido, o apoio psicológico no tratamento do paciente portador de insuficiência renal crônica é um aspecto fundamental em todo o programa terapêutico eficaz e humano, tendo em vista as múltiplas situações difíceis e ameaçadoras que esse paciente atravessa na vivência da doença.

O psicólogo que atua no hospital geral trabalha com o ser doente, que a todo momento procura resgatar sua essência de vida, interrompida pela ocorrência do fenômeno doença. Além disso, firmada na posição humanística de especial atenção aos pacientes e familiares, o psicólogo hospitalar considera a pessoa humana em sua globalidade e integridade, única em suas condições pessoais, com seus direitos humanamente definidos e respeitados.

Deste modo, o psicólogo que atua na unidade de diálise procura ser o intermediário psicológico, buscando atingir a compreensão das relações entre profissionais, entre profissionais/pacientes e profissionais/família, pois muitas vezes a angústia ou a depressão do paciente renal crônico refere-se à destruição do corpo, sofrimento, invalidez, medo do tratamento hemodialítico, gerando, então, dificuldades na relação médico - paciente. Além disso, deve-se considerar a história de vida do paciente como referencial para suas atitudes de enfrentamento e relações.

O psicólogo junto ao paciente portador de insuficiência renal crônica em tratamento hemodialítico deve procurar investigar a vivência do doente, identificando o que se passa na consciência deste a partir do momento em que passa a conviver com uma doença crônica, através de uma relação envolvente, empática e flexível, visando um encontro real e se afastando da postura impessoal que permeia o atendimento psicológico clínico tradicional.

A assistência psicológica na unidade de diálise busca o alívio emocional do paciente como também de seus familiares. Nesse sentido, o psicólogo tem como função entender e compreender o que está envolvido na queixa, no sintoma e na patologia, para ter uma visão ampla do que está se passando com o paciente renal crônico, para que possa auxiliá-lo no enfrentamento desse difícil processo, bem como dar à família e à equipe de saúde subsídios para uma compreensão melhor do momentum de vida da pessoa enferma.

Assim, o psicólogo como membro da equipe de uma unidade de diálise tem, que observar e ouvir com paciência as palavras e silêncios, já que este profissional é quem mais pode oferecer, no campo da terapêutica, a possibilidade de confronto do paciente com sua angústia e sofrimento na fase de doença e tratamento, buscando superar os momentos de crise.

O atendimento psicológico na unidade de diálise tem ainda como finalidade vivenciar junto ao paciente renal crônico seus conflitos frente a sua nova condição de ser, escutando suas experiências, despojando-se dos condicionamentos e predisposições inerentes da condição humana. Nesse atendimento, o psicólogo poderá avaliar o grau de comprometimento emocional causado pela doença e pelo tratamento, proporcionando condições para que o paciente possa desenvolver ou manter capacidades e funções não prejudicadas pela doença.

Assim, ao favorecer ao paciente a expressão de seus sentimentos sobre a doença e tratamento, situações por sí só mobilizadoras de conflito, o psicólogo facilitará também a ampliação das estratégias adaptativas do paciente, neutralizando ou minimizando o sofrimento inerente ao ser e estar doente com insuficiência renal crônica.



sábado, 28 de dezembro de 2013

16 Natais


16 Natais. Sou grato ao Pai, nem esperava tanto. Como sempre a certeza de que tenho muito além do merecido. Meio sem inspiração, porém certo da necessidade de mais ação, vou escrevendo. 2013 foi um bom ano. Consertei umas bobagens antigas e fiz umas novas pra consertar em 2014.


A hemodiálise? Nossa quase esqueci que sou renal crônico. Na verdade às vezes até esqueço mesmo. Só não podemos esquecer-nos da medicação, da dieta, ou seja, do compromisso com nossa sobrevivência. Para que possamos seguir em frente, sem dó. Muitos doutores, auxiliares e técnicos passaram, mas eu ainda estou aqui. Tenho muito mais experiência em mim que muitos deles rs. Apesar de muitos deles acharem que todos pacientes são iguais.


A família? Aumentou e diminuiu. Vieram os netos, se mudaram os filhos. Gosto da bagunça, do movimento, de todos muito perto de mim. Talvez porque assim me sinto seguro, completo. Mas eles cresceram e estão seguindo suas vidas. Preciso “fazer” mais haha, mas a “patroa” não quer.


Um feliz 2014 a todos e que tenhamos força, disposição e objetivos sempre. Que Deus nos possibilite cada vez mais a oportunidade de ajudarmos nossos irmãos em dificuldades. Que a lembrança de Jesus nos fortaleça o desejo de seguirmos seus passos. E mesmo que com nossas pernas tortas, busquemos alcançar ao menos a sombra desses passos, e que essa busca nos leve mais perto do Pai. E enquanto Ele permitir estarei por aqui. Deus abençoe a todos. Abraços, Edson.